O QUE É A NORMA BRASILEIRA DE ATENÇÃO HUMANIZADA AO RECÉM-NASCIDO DE BAIXO-PESO (MÉTODO MÃE CANGURU)

O Método Mãe Canguru preconizado pela Norma é um tipo de assistência neonatal que implica em contato pele a pele precoce entre a mãe e o recém-nascido de baixo-peso, de forma crescente e pelo tempo que ambos entenderem ser prazeroso e suficiente, permitindo dessa maneira uma participação maior dos pais no cuidado do seu recém-nascido. Esse contato de forma gradual evolui até a colocação da criança em posição canguru, que é o posicionamento do bebê em decúbito prono, na posição vertical, contra o peito do adulto, que pode ser a mãe, o pai ou eventualmente algum outro familiar. Todo esse procedimento está baseado em critérios de elegibilidade clínicos e emocionais, tanto do recém-nascido, da mãe quanto da família. Tudo isso acompanhado de importante suporte institucional por parte de uma equipe de saúde treinada e consciente da importância do atendimento preconizado nessa nova metodologia.

Entende-se que a adoção dessas medidas visam fundamentalmente aprimorar o atendimento ao recém-nascido de baixo-peso, à sua mãe e aos outros familiares. O objetivo é estabelecer maior apego, segurança, incentivo ao aleitamento materno e melhor desenvolvimento da criança. Em nenhum momento a metodologia preconizada apresentou-se como um substitutivo de tecnologia, a qual deve ser encarada com indicações precisas sempre que necessárias.

O método é desenvolvido em três etapas:

A primeira deve ocorrer previamente ao nascimento, com a identificação das gestantes com risco de darem a luz a uma criança de baixo-peso. Nessa situação, a futura mamãe recebe orientações específicas sobre os cuidados a serem tomados com ela e com o bebê. O apoio com orientações psicológicas deve também ser realizado. Logo após o nascimento e havendo a necessidade da permanência dessa criança em uma unidade de terapia intensiva neonatal e ou de cuidados intermediários, especial atenção é dada no sentido de estimular a entrada dos pais na unidade e estabelecer contato pele a pele com a criança, desde que as condições clínicas assim o permitam. Trabalha-se o estímulo à lactação e a participação dos familiares nos cuidados com o bebê. A posição canguru deve ser proposta sempre que possível e desejada.

Na segunda etapa do método o bebê encontra-se com situação clínica estável, ganho de peso regular por pelo menos três dias e tem um peso superior a 1250g. A mãe encontra-se segura e orientada. Existe suporte familiar, institucional e há interesse da mãe em permanecer com o seu filho na enfermaria de alojamento conjunto onde a posição canguru será realizada pelo maior período em que ambos acharem seguro e agradável. A vigilância e o apoio da equipe de saúde é fundamental para o sucesso do projeto.

A terceira etapa, alta hospitalar com acompanhamento ambulatorial, só pode ocorrer se a criança estiver com um peso mínimo de 1500g, clinicamente estável e ganhando peso em aleitamento materno exclusivo. A mãe e os familiares devem estar seguros quanto ao manuseio da criança e orientados quanto a importância de mantê-la, no domicílio, na posição canguru durante as 24 horas do dia. É fundamental o compromisso de acompanhamento ambulatorial com a vinda ao hospital pelo menos três vezes por semana na primeira semana após a alta e duas vezes por semana da segunda semana em diante, até atingir um peso mínimo de 2500g. Geralmente, em torno desse peso, a posição canguru já deixa de ser realizada.

DO ESTABELECIMENTO DOS CENTROS DE REFERÊNCIA NACIONAIS E DA IMPLEMENTAÇÃO DA NORMA NAS INSTITUIÇÕES DE SAÚDE.

Uma vez estabelecida uma norma que pudesse nortear a utilização da metodologia canguru, surgiu a necessidade de se desenvolver uma estratégia para a sua implementação nas diversas unidades hospitalares. Sendo assim, uma nova equipe de consultores, juntamente com os técnicos da área da Criança do Ministério da Saúde desenvolveram um programa de treinamento teórico-prático sobre Atenção Humanizada ao Recém-nascido de Baixo-Peso (Método Mãe Canguru). Esse curso, idealizado para ser oferecido em 40 horas de duração, objetivou capacitar os profissionais das diferentes especialidades que lidam com o recém-nascido de baixo-peso, sua mãe e sua família. Essa capacitação consiste em habilitar esses profissionais para exercerem um atendimento humanizado, considerando as peculiaridades físicas e psicológicas de cada caso; as particularidades do psiquismo específico da gestação, superposto ao da puérpera, mãe de um recém-nascido prematuro; as características do ambiente cuidador até as interações comportamentais pais-bebê e o desenvolvimento do apego. Técnicas de manuseio, vigilância quanto aos sinais de risco, estimulação sensorial vinculada principalmente no contato pele a pele e o acompanhamento do crescimento e do desenvolvimento dessas crianças são também abordadas nesse curso. A metodologia aplicada está pautada em aulas expositivas, leitura de textos, dinâmica de grupo, dramatizações, debates e exercícios práticos. Cada curso conta com a participação de 30 alunos provenientes de seis diferentes unidades hospitalares. Sendo assim, cada unidade interessada em treinar seus profissionais para o desenvolvimento dessa metodologia, inscreve cinco profissionais, de preferência observando um caráter interdisciplinar e que serão treinados em conjunto. Dessa forma, ao término do curso aquele hospital poderá contar com cinco profissionais capacitados para desenvolver a metodologia, tornando-a assim mais fácil de ser implementada.

Esses cursos serão desenvolvidos em centros hospitalares, identificados pelo Ministério da Saúde, por apresentarem características organizacionais e de estrutura hospitalar compatíveis com a proposta de treinamento estabelecida. Inicialmente os centros de capacitação foram assim distribuídos: Instituto Materno e Infantil de Pernambuco (IMIP), na cidade de Recife; Maternidade Escola Assis Chateaubriand e Hospital César Calls, na cidade de Fortaleza; Hospital Universitário da Universidade Federal do Maranhão, Secretaria Municipal de Saúde do Estado do Rio de Janeiro e o Hospital Universitário de Santa Catarina, em Florianópolis. Este ano, o Hospital Regional de Taguatinga, da Secretaria de Estado da Saúde do Governo do Distrito Federal integrou o grupo de centros de referência. Futuramente em São Paulo, na cidade de Itapecerica da Serra, novo centro de referência entrará em funcionamento.

Para haver critérios de homogeneidade e de qualidade na aplicação dos cursos, treinamento específico para os monitores dos centros de referência foram e vêm sendo realizados e o material didático utilizado nos cursos, foi para que haja a melhor padronização possível.

fechar